fbpx

Alberto Carlos Almeida

Cientista político, sociólogo e pesquisador

Alberto Carlos Almeida

Cientista político, sociólogo e pesquisador

Quanto mais partidos, mais ministérios e mais cargos comissionados

por | jun 16, 2020 | Governo | 0 Comentários

Compartilhe

Bolsonaro prometeu que seu governo teria somente 15 ministérios, hoje ele tem 23 e caminha para em breve atingir um número pelo qual o Presidente expressa imenso preconceito homofóbico. Se você quiser diminuir o número de ministérios e de cargos comissionados no Brasil, terá que antes reduzir o número de partidos políticos.

Entre 1990 e 1998 existia no Brasil em torno de oito partidos efetivos. Não coincidentemente, naquela época, havia 16 ministérios em 1990, 21 em 1994 e 29 em 1998. Em 2014 o número de partidos efetivos tinha aumentado para 13 e os ministérios para 39. Em 1999 havia 16.644 cargos comissionados, em 2014 eles atingiram 23.230, um amento de incríveis 40%. A trajetória de crescimento também seguiu o aumento do número de partidos.

A nossa legislação permitia que cada coligação eleitoral lançasse 150% de candidatos em relação ao número de cadeiras em disputa. Assim, se São Paulo elege 70 deputados federais, cada coligação tinha a permissão de lançar 105 candidatos. Sabe-se que, em coligações mais votadas, no máximo 25 seriam eleitos. O que fazer então com os 80 candidatos não eleitos que ajudaram a conseguir votos para a coligação? Imagine-se essa conta para coligações que tinham lançado 105 candidatos, mas haviam eleito apenas dois ou três deputados. Sobrariam 102 não eleitos para serem abrigados pelo governo. Na medida em que o número de partidos foi aumentando, cresceu junto o número de coligações e de candidatos não eleitos que haviam ajudado os eleitos, e que por isso mereciam serem retribuídos.

A pressão por abrigar os candidatos não eleitos fez crescer o número de cargos comissionados, e o aumento do número de partidos fez aumentar o número de ministérios a fim de que mais líderes partidários tivessem acesso a cargos, e com isso pudessem formar uma base parlamentar de apoio ao governo com mais partidos.

As agruras de Bolsonaro em relação ao número de ministérios e à ocupação dos cargos comissionados não terá fim. Ela está fora do controle de qualquer voluntarismo, depende sim da quantidade de partidos existentes no Brasil.


Compartilhe

Leia mais

Eduardo Bolsonaro candidato a presidente em 2026

Eduardo Bolsonaro candidato a presidente em 2026

Uma hipótese razoável para o licenciamento de Eduardo Bolsonaro do mandato de deputado federal a fim de passar um período nos Estados Unidos (EUA) é que ele pode vir a ser o candidato apoiado por seu pai na eleição presidencial de 2026. Alguns fatos indicam nessa...

Quem manda no Brasil

Quem manda no Brasil

O cenário político atual tem levantado muitas dúvidas. Diariamente, disponibilizo análises aqui no blog, no meu canal do Youtube, no Instagram e Twitter e, principalmente nos meus grupos de Whatsapp e Telegram. Mas, tenho recebido diversas dúvidas sobre o assunto...

Os votos da terceira via

Os votos da terceira via

Eleições seguem a lei de Pareto, ou a regra 80/20 ou a exponencial. É comum que 20% dos candidatos tenham 80% dos votos, se não exatamente isto, algo um pouco menor, porém ainda muito elevado ao ponto de permitir afirmar que se trata de uma regularidade do mundo do...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *