A cobertura de mídia sobre a economia no governo Bolsonaro mudou muito de tom depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial. Pode ter sido em função das falas do Ministro Paulo Guedes naquele encontro. O que se viu foi um ministro da economia pouco prático e muito teórico, ele fez menções a doutrinas econômicas, e número de livros lidos sobre determinados assuntos, a autores da academia e outras coisas do gênero. O que se viu ali foi mais um filósofo da economia do que alguém que conhece e lida com o mundo real.
Aquela reunião, por mais incrível que possa parecer, tinha um tema em sua pauta: discutir o plano Pró-Brasil que havia sido elaborado pelo Ministro da Casa Civil, Braga Netto em conjunto com os ministros Tarcísio de Freitas e Rogério Marinho. É possível ver a discordância entre os três de um lado e Paulo Guedes de outro. Nos poucos momentos da reunião em que os palavrões foram deixados de lado e o tema da pauta foi discutido Paulo Guedes se limitou a ir contra as falas de Braga Netto.
O Ministro Rogério Marinho, em um determinado momento do encontro, um dos possíveis sucessores de Paulo Guedes no caso de sua demissão, defendeu o aumento de aproximadamente 10% do déficit já contratado a fim de realizar obras públicas. Ao propor isso Marinho não estava orientado por livros, teorias ou doutrinas, ele tinha em mente problemas concretos de uma população real. A sua visão privilegia a geração de empregos e a possibilidade de deixar a economia minimamente viva, ainda que na UTI, à espera do retorno à normalidade, ainda que seja um novo normal.
O clima geral da reunião, de balbúrdia e desorientação, e as falas de Paulo Guedes, demonstrando ser mais um filósofo e um teórico do que um homem prático e de negócios, pode sim ter sido importante para uma forte mudança de tom da cobertura da mídia acerca da economia no Governo Bolsonaro. O que aconteceu desde então foi a publicação de inúmeras matérias negativas e pessimistas. A mídia viu por dentro o que é ter como Presidente da República alguém inteiramente despreparado para o cargo.
Paulo Guedes insiste na atração do capital privado para o retorno do crescimento. Garante liquidez ao sistema financeiro com dinheiro público, mas esse mesmo dinheiro não existe para investimentos, e consequentemente, geração de emprego, renda, etc… Quem, em sã consciência, investirá numa economia tão incerta e insegura como a brasileira, nos atuais dias?
A fala do Min. Rogério Marinho foi a q mais gostei naquela fatídica reunião . Foi a que mais pontuou questões pertinentes e relevantes para fazer o Brasil caminhar economicamente, seguida da fala sóbria e coerente do Min. Nelson Teich, na sua área. Os demais seguiram uma onda de bajulações ao presidente ou foram inexpressivos ,como Sérgio Moro .
Filósofo, teórico? Vi outra reunião.
Aqui faço apenas um comentario, sem defesa pessoal de ninguem.
Triste ver tamanho desconhecimento de economia básica do autor (ou politicagem mesmo). Até quando irão acreditar que governo/estado gera riqueza e emprego? Empregos são gerados a partir de crescimento econômico da sociedade, a partir das interações e trocas voluntárias entre empreendedores, trabalhadores e consumidores. O estado gastar mais por meio de emissão de dívida para “gerar” empregos significa nada mais nada menos que o setor privado terá menos recursos disponíveis para tomar como crédito e utilizar RACIONALMENTE em investimentos produtivos. Não existe almoço grátis. O dinheiro tomado pelo governo vem da poupança dos brasileiros alocada nos bancos, que poderia ser usado como crédito privado. Menos dinheiro disponível, juros mais elevados e menos investimentos. Segundo, investomentos produtivos são aqueles que seguem as demandas de consumidores. Governo gastar dinheiro em projetos que não estão realmente sendo demandado pelos consumidores para produzir artificialmente empregos vai apenas aumentar o problema (destruído recursos) e empurra-lo para frente. Melhor programa é austeridade fiscal (corte de gasto público com funcionalismo principalmente, com estatais ineficientes que não atendem aos desejos dos consumidores e sim de burocratas, é muitos outros). Abaixo um excelente artigo para os interessados. Recomendo tbm a leitura dos ensaios de Murray Rothbard, ícone da Escola Austríaca de economia, sobre as causas e as consequências nefastas do New Deal (programa de obras publicas financiadas pelo estado)
https://www.mises.org.br/article/3245/em-uma-recessao-um-programa-estatal-de-obras-publicas-ira-apenas-piorar-a-economia-
A minha postagem fala da mídia